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[One-Shot]Amor! Amor. Amor?
#1
Tá, tem mto tempo msm q eu ñ posto nada, mas é q vem acontecido mtas coisas, porblemas, e qnd a DF acabou eu perdi um pouco da vontade de escrever e só to voltando a ativa mesmo agora.

Esse texto não é novo, eu escrevi em Março, por aí. Era pra um Concurso. Escrevendo a DAP hoje eu vi esse texto q decidi postar. Ficou meio grandinho e tals, mas espero que leiam.

Não sou muito fã do Tai, mas detesto Sorato. Pra falar a verdade eu tbm ñ gosto de escrever nem Sorato, nem Taito e nem Taiora, mas deu vontade, vou fazer o q? Qualquer erro de digitação ou formatação me avisem ( os pensamentos devem estr em itálico, falas em negrito, e parágrafos separados por uma linha)

Tá aí então, espero que gostem!

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[center]– Amor! Amor. Amor? –[/center]


Estavam os doze, seis humanos e seis digimons, dentro do camarote recém-construído.

O camarote havia sido inaugurado há dois anos no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, era mais reservado e nele seus ocupantes contavam com menos mordomias do que nos demais camarotes, mas nenhum dos que ali estavam no momento importava-se com aquilo. Queriam apenas assistir ao fabuloso espetáculo do Carnaval no Rio de Janeiro e divertir-se o quanto fosse possível.

O piso da salinha era coberto com um vistoso carpete vermelho que, como descobrira Patamon que acordara a pouco tempo de uma curta soneca, era macio e limpo. Havia também, encostados nas duas paredes laterais do camarote, sofás de couro marrom em que as paredes serviam de encosto.

Num desses sofás estavam sentados Takeru e Hikari, as mãos entrelaçadas e o olhar apaixonado e na outra extremidade Jou fazia um curativo improvisado numa das patas de Tailmon, que pisara num caco de vidro, resquício de um copo quebrado. Patamon observava sem nada dizer e Hikari desviava a todo momento a atenção para sua parceira, mas seu amante, o Escolhido da Esperança, pouco se importava, pois conhecia, por experiência própria, o inefável amor que um Escolhido sentia por seu parceiro digimon.

Do lado oposto da sala, ao lado do outro sofá, próximos à porta de madeira negra que servia de saída, conversavam descontraidamente Pyomon e Gomamon, que pouco se interessavam com o desfile das Escolas de Samba.

Ao centro, numa mesinha redonda de tampo de vidro, uma bacia de metal reluzia com as lâmpadas fluorescentes. Gelo e bebidas em seu interior.

Oposta à porta negra ficava uma grande abertura retangular na parede de concreto que tornava possível a apreciação do espetáculo em toda sua magnificência. Próximas a janela estavam cinco figuras.

Num canto, do lado do sofá onde estavam Hikari e Takeru, Gabumon assistia solitário, meio desinteressado. Seu parceiro estava acocorado no meio da janela com Sora Takenouchi, sua namorada, envolvida por um de seus braços num aperto carinhoso.
Vez ou outra os amantes desviavam sua atenção da festa carnavalesca para beijarem-se ou apenas para desfrutar do deleite de um olhar apaixonado.

Taichi e Agumon postavam-se na extremidade oposta de Gabumon. O Escolhido da Coragem pouco falava, cabisbaixo, e seu parceiro dragão tentava, em vão, animá-lo com ocasionais comentários sobre o desfile. Taichi mirava de soslaio o casal a seu lado, mas tentava ocultar seus sentimentos controversos.

Os demais Escolhidos não haviam viajado ao Rio de Janeiro. Mimi continuou em Nova Iorque e Koushiro foi impedido de ir ao Brasil devido a um curso avançado de informática que faria. Os Escolhidos mais jovens, que já não podiam ser chamados de novatos, haviam feito uma excursão a Pequim e não voltariam a tempo de partir para o país tropical.

Era verão, e o costumeiro calor da estação açoitava a Cidade Maravilhosa. Os seis japoneses e os digimons em número correspondente, com exceção de Gomamon, que precisava ir ao banheiro se molhar sempre que sua pele ressecava demais, não se incomodavam muito com a temperatura. Tantos anos visitando o Digital World acostumaram-nos a diversos climas.

A magia do samba e a alegria dos brasileiros os envolvia, e fragmentos dos samba-enredos formavam um tumulto de ritmos na cabeça dos estrangeiros nipônicos, ainda que nenhum deles compreendesse as mensagens cantadas em português.

[center]==============================================================[/center]

Taichi desviou rapidamente seu olhar para o desfile no momento em que Agumon levantou sua cabeçorra e o fitou.

O Escolhido da Coragem sabia muito bem que seu parceiro tinha conhecimento do motivo de sua contida tristeza e do alvo de seus olhares.

Já faz quase três meses, e ele ainda pensa nela... Pensou o dragão. É a quarta vez que eles terminam e ele ainda fica do mesmo modo de sempre.

Agumon não comentou coisa alguma, e a exemplo de Taichi, atentou-se ao desfile. Alas intermináveis passavam com seus componentes apertados em suas quentes e opulentas fantasias. O digimon percebeu, lá bem longe, surgindo na avenida, um carro alegórico brilhante. Era predominantemente dourado, mas era pintado aqui e ali com o laranja das chamas.

No carro a colossal imagem de uma águia balançava sua cabeça e agitava devagar suas asas. Um fogo laranja fora construído à altura das pernas da águia, tampando-as, e em volta do carro imagens com feições femininas, douradas como o resto da alegoria, permaneciam imóveis com seus olhos insondáveis.

À distância contar o número de humanos que dançavam em cima do veículo festivo era, mesmo para o digimon com sua visão aguçada, impossível, e Agumon apenas distinguia claramente a mulher ricamente trajada à frente da alegoria, enfeitada com longas penas coloridas.

– Aquela ave parece Birdramon!– exclamou para que apenas Taichi ouvisse – E aquela mulher bem poderia ser Sora.

Taichi respondeu apenas com uma palavra pronunciada num balbucio ininteligível e mesmo que sua postura ou expressão não houvessem mudado, parecia ter ficado soturno de repente, triste.

Agumon olhou para o Escolhido a seu lado e percebeu rapidamente o erro que havia cometido.

Em seu ímpeto para alegrar seu parceiro, acabou por reabrir uma ferida que já estava quase totalmente curada. Não era uma chaga profunda, mas estava num ponto onde quatro feridas do mesmo tipo já estiveram.

O digimon calou-se por um instante.

Silêncio... Talvez eu devesse falar algo dessa vez. Talvez ajude ele a superar e não ficar cabisbaixo por muito tempo como antes.

O dragão respirou fundo e olhou para Taichi, agora mais compenetrado no desfile, talvez para tentar distrair sua mente da mágoa.

– Ainda não acabou... – disse baixinho o digimon para que apenas seu parceiro escutasse, fim que era facilitado pelo alto samba que ecoava pelo camarote.

– O quê não acabou, Agumon?
– indagou, ainda com olhar fixo nas alas coloridas logo abaixo.

O digimon respirou fundo, e após alguns segundos respondeu.

– O seu amor por Sora. Ainda não acabou. – As palavras surtiram imenso efeito no Escolhido da Coragem, que se absteve da visão do desfile para mirar os olhos do dragão à sua frente. Sua expressão era triste e contemplativa, com algum fundo de resignação que Agumon não compreendeu.

– Por que diz isso? Você viu quando nós terminamos, e isso já faz três meses... – o humano pontuou sua ultima frase com um silêncio ponderativo em que relembrou o rompimento com Sora. Talvez fosse dizer algo, uma negativa ou uma evasiva para findar o assunto, mas Agumon, conhecendo seu parceiro, inquiriu.

– Por que sempre mente em relação a isso? – e cuspiu as palavras todas de uma vez – Eu sei tão bem quanto você que você ainda a ama, mas você sempre tenta negar. – reconhecendo a verdade nas palavras do ser laranja, Taichi calou-se. – Talvez ache que assim consegue disfarçar sua tristeza, mas não, apenas se torna mais patético. Admita, você ainda a ama.

Taichi voltou seu olhar ao desfile e por um momento ensimesmou-se e esqueceu-se de tudo à sua volta. Refletiu sobre o tempo anterior aos últimos três meses e segurou um sorriso ao se lembrar dos beijos apaixonados que davam.

Olhou novamente para Sora e teve um sobressalto. A Escolhida do Amor também o fitava, discretamente, enquanto Yamato ainda a envolvia com um de seus braços. Seu olhar brilhava com ternura e os cantos de sua boca repuxavam-se num pequeno sorriso.

Taichi desviou seu olhar girando sua cabeça para frente, e notou que a grande alegoria dourada já havia andado bastante, mas mesmo assim, continuava distante demais para que seus olhos humanos pudessem divisar perfeitamente os pormenores trabalhados ou a fantasia dos integrantes que dançavam dos lados do carro. Era possível ver claramente apenas a grande águia dourada, os outros elementos que a rodeavam e também a mulher que dançava a frente da ave.

O olhar de Taichi prendeu-se, involuntariamente, na mulher, e logo o comentário de Agumon manifestou-se em sua mente.

– Acho que não se parece.

– O que não se parece?
– indagou Agumon.

– Aquela ave até que lembra vagamente Birdramon, – o Escolhido da Coragem mirou o digimon a seu lado. – mas aquela mulher não poderia ser Sora.

O dragão laranja franziu o cenho. A mulher era bela e voluptuosa.Agora Taichi acha Sora feia?

– Por que não?

– Porque Sora é perfeita, e para mim, sempre será a mais bela, a mais inteligente, a mais simpática...
– era possível ver a ternura em seus olhos.

– Isso quer dizer que você ainda a ama?

Taichi olhou novamente para Sora, mas a garota não mais o fitava e agora apenas ouvia com carinhosa atenção algum comentário de seu namorado. O Escolhido da Coragem sentiu um aperto no peito.

Iria responder para Agumon que sim, mas agora sua resposta necessitaria de um complemento.

– Sim, amo imensamente, apesar de ter meus motivos para não tentar, por hora, outro relacionamento com ela.

Agumon ponderou um pouco sobre a resposta de seu parceiro, e apesar de não ter certeza sobre os motivos que o humano referiu, sabia que ele havia sido sincero.

[center]==============================================================[/center]

– Ele ainda a olha de forma apaixonada – comentou Gomamon, que conversava com Pyomon num canto.

Confusa pela mudança repentina de assunto, a digimon indagou.

– O quê, Gomamon?

– Taichi. Ele ainda ama Sora.
– Gomamon virou-se discretamente e viu que Taichi não mais fitava a Escolhida.

Pyomon nada disse por alguns instantes e mirou sua parceira, envolvida pelos braços de Yamato, que lhe contava algo. Por fim falou.

– Por que diz isso, Gomamon?

– Porque é o que vejo. Taichi olha para Sora a todo instante e vice-versa.
– o digimon da Confiança olhou para o Escolhido da Coragem, que naquele momento via o desfile. Agumon dizia algo, inaudível mesmo a curta distância. – Mas me diga, Pyomon. E Sora? Ela ainda o ama depois desses três meses?

A ave rosada não respondeu de pronto e ponderou brevemente enquanto esfregava sua pata no carpete vermelho.

Sora não me pediu para guardar segredo, mas também não me disse que poderia contar a alguém... Pensou a digimon do Amor. A Confiança do brasão de Jou também significa a lealdade, e isso reflete em Gomamon...

– Não conte para ninguém o que eu vou te contar, Gomamon. – disse com certo tom de gravidade na voz.

– Claro, não contarei.

– Você promete? Sora ficaria muito brava comigo...

– Eu prometo, Pyomon
– assegurou o digimon aquático.

A digimon resfolegou, e começou.

– Ela o ama. – Gomamon deu um sorrisinho de satisfação por estar certo e olhou rapidamente para Sora, percebendo que esta olhava Taichi com um sorriso discreto. O Escolhido também a olhava. – Está com Yamato, mas ainda o ama.

– Não entendo. Se ela o ama, por que está com Yamato? Isso é um esforço para ser infeliz.

Pyomon meneou a cabeça horizontalmente, em negação, e explicou:

– Ela não quer ser infeliz.

– Que tipo de amor é esse que a separa de Taichi? O que ela sente então, Pyomon?
– perguntou, confuso.

– Um amor latente, que desabrocha às vezes. Acho que dependendo da situação, esse amor pode se manifestar, discretamente ou não. – a ave fitou Sora, que agora ouvia um comentário de Yamato. Taichi a observava. – Mas agora tem namorado, e pelo que eu percebo, está com Yamato apenas para esquecer Taichi.

– Então há um motivo para ela estar com Yamato... – Gomamon compreendeu.

– Há, e acho que ela chama isso de auto-preservação – ou qualquer coisa do tipo–, e eu aprovo sua atitude. – Pyomon demorou quase um minuto para completar sua fala – Não quero vê-la triste como sempre ocorre quando eles se separam.

Gomamon se convenceu, e após alguns instantes, quando sua pele já estava demasiado ressecada pelo calor do verão tropical, saiu para molhar-se no banheiro.

Pyomon ficou sozinha no mesmo canto, aguardando o retorno do digimon da Confiança, e enquanto isso observava Sora pelas costas. Vez ou outra ela sorria, mas Pyomon sabia que em seu imo havia uma carranca triste, desejosa dos braços de Taichi.

O Escolhido da Amizade deixou sua amante para se aproximar de Gabumon e Pyomon percebeu sua parceira mirando Taichi.

Pobre Yamato... Ama tanto Sora... Tenho pena dele, porque neste momento, ele serve só como um modo para Sora esquecer Taichi. É apenas um objeto...

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Yamato acabara de fazer um comentário sobre um show que sua banda faria quando voltasse ao Japão. Sora ouviu com desinteresse. Havia acabado de fitar Taichi bem nos olhos e aquilo a revigorava, mas também a fazia desinteressar-se levemente por seu atual namorado

– Vou ver se Gabumon quer algo. Está tão solitário... – informou Yamato, recolhendo seu braço que envolvia a namorada e andando para o lado, em direção ao seu digimon. Sora deu uma resposta monossilábica, mas o Escolhido da Amizade não ouviu.

A garota olhou mais uma vez para Taichi, que agora assistia em silêncio ao desfile carnavalesco, assim como Agumon. Logo em seguida mirou Yamato, para se certificar que este não havia visto o que ela fizera, e acabou notando, além de Jou que terminava seu curativo em Tailmon e de Patamon que agora ajudava a segurar uma das bandagens improvisadas, Takeru e Hikari.

Os dois jovens tinham as mãos dadas e a expressão apaixonada.

Sora sabia que, não por não amar o Escolhido da Esperança, mas sim por preocupação a sua parceira, que Hikari adoraria ajudar Jou, mas este dispensara seu auxílio, e a Escolhida fitava ocasionalmente a digimon gata. Com exceção dessas breves olhadelas, Hikari mantinha sua atenção no belo semblante de Takeru.

A Escolhida do Amor, ainda olhando para o casal, relembrou os bons momentos que teve com Taichi e pensou: Por que nunca tivemos o tipo de amor que eles têm? Eles se entregam totalmente e quase não brigam. A garota voltou seu olhar para o desfile. Se fosse assim, eu ainda estaria com ele, e estaria sorrindo agora.

Quase no mesmo instante que Sora completou seu pensamento, as luzes do camarote e da avenida se apagaram com um estalido alto, e todos mergulharam nas sombras.
Lá fora uma infinidade de pequenas luzes de celular, como pequeninas estrelas, acenderam-se na platéia acompanhadas do sussurrar sinistro da massa, mas dentro do camarote, a escuridão e o silêncio, maculado pelos sons vindos das outras pessoas abaixo, reinava. Vagamente, a ruiva podia distinguir Hikari e Takeru abraçados no sofá e Jou, juntamente com os dois digimons sagrados a seu lado.

Não conseguia ver Yamato nem Gabumon, assim como Taichi, Agumon e Pyomon.

O Escolhido da Confiança disse algo que Sora não compreendeu, mas seu namorado disse algo em resposta. A Escolhida do Amor, até agora voltada para a abertura na parede, girou de modo que ficou de frente para a porta de entrada, ainda que ela não distinguisse tão bem as direções naquele ambiente escuro.

De repente teve um sobressalto. Divisou um vulto diante de si, perto o bastante que poderia tocá-lo. Percebeu pela altura que não era um dos digimons que ali estavam, assim só podia ser um humano.

Sora não interrogou o vulto para saber quem era, e este se aproximou rápido de si. A envolveu com os braços e a beijou silenciosamente.

A Escolhida sabia que não era Yamato pelo beijo em si, e também excluiu a possibilidade de serem Takeru ou Jou. O primeiro, pois era totalmente fiel à Hikari, e o segundo porque era, como médico digimon, comprometido demais para abandonar um paciente apenas para realizar seu bel-prazer.

A Escolhida entregou-se, esperando que fosse Taichi, e beijou quem quer que fosse, saboreando o momento quase com gula. Os lábios que a beijavam eram macios e havia naquela boca um sabor gostoso, que parecia familiar.

Taichi?

Os dois se separaram e Sora estendeu seus braços, só para encontrar o vazio umbroso.
Sentiu após alguns instantes uma mão tocando seu braço, mas suas expectativas foram frustradas quando seu namorado sussurrou:

– Amor?

– Sim, sou eu.
– confirmou, seca, e a luz voltou enquanto Yamato a envolvia novamente em seus braços.

Seu primeiro impulso foi olhar para Taichi, mas o Escolhido da Coragem continuava no mesmo lugar. Sora não se permitiu ficar desapontada, agarrando-se a idéia de que havia sido seu verdadeiro amor quem a beijara.

Pyomon se aproximou de sua parceira, silenciosamente.

– Tudo bem, Pyomon?

– Tudo, Sora. Por que as luzes se apagaram?

– Não sei, provavelmente alguma falha na transmissão de energia ou um problema em um gerador.
– respondeu, e percebeu os grandes olhos azuis da digimon ave o fitando, e ela parecia poder ler suas emoções e pensamentos, como sempre aparentava ao lançar um olhar mais profundo a sua parceira.

Sora teve um arrepio. Pyomon a olhava intensamente, e naquele momento seu escrutínio incomodou a humana. Não sabia se a digimon havia visto o que acontecera, mas a intensidade de seu olhar assustava Sora.

– Vou ao banheiro. – informou Taichi de repente. Contornou a mesinha central, abriu a porta, e saiu enquanto Agumon aproximava-se de Gabumon.

Sora seguiu-o com os olhos virando a cabeça sem discrição alguma. Talvez seu namorado tivesse percebido aquilo. Talvez... Mas importava?

A Escolhida percebeu que Pyomon ainda a olhava, com expressão diferente. A ruiva agachou-se à altura de Pyomon e Yamato não deu muita atenção a isso, assim como os outros no camarote.

Sora esboçou um sorriso jovial para sua parceira e meneou sua cabeça levemente em direção à porta numa pergunta silenciosa. A sintonia das duas era tamanha que Pyomon captou o total significado daqueles gestos.

É como eu disse a Gomamon. O amor de Sora por Taichi agora é latente, e seja lá o que tenha acontecido, esse sentimento veio à tona.
Refletiu a ave rosada. Não imaginava que ela pensaria em fazer o que pretende.

Apesar de eu já prever a consequência desastrosa que o sucesso e fracasso dela nessa empreitada trarão, deixarei que ela faça o que quer. Talvez seja melhor que ela pare de enganar seu coração.


Respondeu, também silenciosamente. Levou uma de suas garras rubras ao braço de Sora, como numa carícia imóvel. Depois dobrou seu pescoço de modo que sua cabeça movesse-se lateralmente em direção a seu ombro. O movimento foi seguido por um curto movimento vertical de aprovação.

Coragem.

A Escolhida sorriu e levantou-se, decidida.

Sussurrou para Yamato que iria ao banheiro retocar sua maquiagem e se esquivou de um beijo que o Escolhido da Amizade tentou lhe dar. Encarou depois seus olhos, confusos com a evasiva, mas era o certo a fazer agora que iria atrás de seu amor.

Não me sentiria bem se houvesse beijado Yamato e logo após conseguisse reatar com Taichi, não mesmo.

Deixou que seu par beijasse apenas sua bochecha. Puro protocolo.

Deu um sorrisinho para Pyomon, e como Taichi, contornou a mesinha de vidro e saiu pela porta negra, exultante.

A porta se fechou com um baque quase baixo demais para se ouvir agora que a música carnavalesca havia voltado a soar na Marquês de Sapucaí. Pyomon abandonou Yamato sozinho e foi juntar-se a Agumon e Gabumon no canto onde estavam, antes passando por Jou para ver o curativo de Tailmon, e ao lado, o caco de vidro retirado de sua pata.
Cumprimentou os dois digimons e disse algumas palavras, mas após alguns instantes, ficou pensativa.

Mais cedo ou mais tarde, Sora irá acabar com dezenas de caixas de lenços de papel. Exatamente como há três meses.


A digimon não torcia por aquilo, obviamente, mas o passado pode dar grandes lições sobre o futuro, e naquele caso, essa frase se encaixava perfeitamente.

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Passada a porta corria um curto corredor de paredes cinzentas, iluminado por lâmpadas fluorescentes que dava acesso aos banheiros. Sora percorreu o caminho a passos largos, com um sorriso estampado no rosto e as feições numa máscara alegre.
Taichi estava ainda na metade do caminho, e a Escolhida do Amor parou ao ver seu amado. Ficou encostada à parede sem emitir o menor som enquanto o japonês seguia bem devagar, sem olhar para trás.

Enquanto imóvel, calculou o que diria e ensaiou brevemente, em sua cabeça, o que diria. Decidiu ser incisiva, e seguiu até alcançá-lo. Nesse momento, tocou o no ombro, e sem lhe dar chance para dizer algo, interrogou:

– Foi você quem fez aquilo? – e enfatizou a ultima palavra, lançando-lhe um cândido olhar terno. Taichi a olhou confuso, digerindo as palavras devagar.

– O que você disse?

– Foi você, não?
– Taichi manteve sua expressão confusa – Você me beijou quando as luzes se apagaram. – e exibiu levemente seus dentes brancos.

O Escolhido da Coragem não respondeu. Sora, ainda com uma de suas mãos no ombro de seu amado continuou o olhando e ele modificou sua expressão confusa para uma estranha, quase de remorso.

– Me diga, Tai. Você me beijou? – a certeza da Escolhida do Amor quanto à identidade do vulto que aparecera no escuro começava a fraquejar ante a falta de ações de Taichi – Me diga Tai! Me diga se foi você! Me diga!

Taichi permaneceu impassível, e Sora levou sua outra mão a seu ombro de modo que suas delicadas mãos femininas tocassem levemente seu pescoço. O parceiro de Agumon, apesar de apreciar aquele toque já conhecido e, aliado ao olhar de Sora, perceptivelmente apaixonado, deteve qualquer reação, apenas deleitando do momento.

Passou-se quase um minuto, em que ambos pareciam ter sido englobados numa redoma de vidro. Os sons que não fossem produzidos por um deles passavam despercebidos, e a respiração alternada dos humanos era mais interessante que o desfile carnavalesco que se desenrolava lá fora. Sora retirou suas mãos dos ombros de seu amado.

Nesse momento aconteceu o que ela desejava. Taichi segurou suas mãos com as dele enquanto as dela ainda estavam na altura de suas barrigas, e sem nada dizer, entrelaçou seus dedos.

Ela sorriu, e ele, apesar de ter sido quem uniu suas mãos, calou-se. Um estranho remorso e culpa, aliados a outros fatores, queimavam-no, mas seu desejo por Sora rugia forte e sobrepujava os ganidos estridentes de seus motivos negativos.

Ainda sem sorrir, puxou-a levemente para perto de si, a cerca de dois palmos de distância, mas deteve-se aí. Sua mente estendia-se ao passado comum dos dois e projetava o presente, mas sua consciência também trouxe imagens conhecidas: Sora chorava, tão triste, e ele ouvia tudo pela porta; Yamato sorria num índigo vazio e seu brasão azul brilhava em seu pescoço. O Escolhido da Amizade chamava-o pelo nome.

Não, não posso prosseguir. E com esse pensamento, não pôde finalizar a ação já antecipada por sua mente.

Sora fez isso.

Esticou seu pescoço e juntou seu corpo ao de Taichi. Numa fração de segundos mirou seus lábios, e com apaixonada fome, tocou-os com os seus e atingiram um outro nível de sintonia.

Sim, pois não era como a harmonia que tinham com seus digimons, ou o conhecimento profundo dos gostos e atitudes de seus melhores amigos. Era uma relação ao mesmo tempo física, para suprir os caprichos de seu corpo,e mental, para alimentar a necessidade mútua que tinham.

Ainda englobados por sua redoma inexistente que isolava-os do resto do mundo, Taichi envolveu-a com seus braços fortes e encostou-a na parede.

Sora percorreu as costas de seu amado com as mãos e esticou-se, quase como se desejasse fundir-se a ele, e foi nesse momento que Taichi deixou de corresponder ao apaixonado ósculo da Escolhida do Amor e se afastou.

A japonesa abriu os olhos quando o sentiu se afastar e tentou segurar seus braços quando ele deixou de a envolver com seu calor, mas ele se esquivou e a olhou. Sora contemplou então uma cena rara.

Uma lágrima rolou pela bochecha de Taichi e seu rosto torceu-se numa máscara lúgubre. Apoiou-se na parede oposta a Sora, acometido pela culpa.

Então ele não me ama mais... Ah, como isso pôde acontecer? Separamos-nos por um motivo tão infantil e bobo que hoje repenso aquele último dia como o pior e mais sem nexo. Foi culpa minha, e hoje, que percebo que apenas seu amor me completa, não posso tê-lo.

Sora olhou-o, mas não se aproximou ou disse algo, pois a redoma de silêncio que parecia os envolver rompeu-se, e o som de um suspiro foi ouvido.

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Torneira desgraçada! Amaldiçoou Gomamon ao tentar pela quarta vez fechar a torneira do banheiro.

Ao chegar ao banheiro cogitara a possibilidade de molhar-se na privada, mas havia conseguido com muito custo abrir a torneira. Igualmente penoso foi banhar sua pele naquela pequena pia, mas também foi um desafio superado. Agora precisava fechar a torneira.

Devia ter chamado alguém para me ajudar dessa vez!

Tentou com a boca e com as garras, mas essas ultimas escorregavam no registro esférico, e não via outro modo de concluir sua tarefa se não o que havia planejado.

Escolheu por executá-lo.

Saltou da pia e adentrou uma das duas cabines. Com as patas arrancou um volume imenso de papel higiênico, e com destreza enfiou-o todo com sua garra pela abertura da torneira. A água ainda escorria num filete curto e ele sabia que logo sua barreira cederia, mas o que valia era a intenção.

– Rá!

Abriu a porta com um empurrão, e praguejou mentalmente.

Bah! Fala-se tanto sobre modificações para atender aos deficientes físicos, mas agora que a humanidade conhece a existência dos digimons deveriam nos integrar na sociedade deles também. É um absurdo! Não conseguimos abrir uma torneira.

Por fim sorriu de si mesmo e de sua indignação, pois assim era o digimon da
Confiança, descontraído e franco.

Gomamon contornou a parede que dividia os banheiros masculino e feminino, e quando chegou ao corredor que o levaria ao camarote, teve, ao mesmo tempo, uma visão inesperada e uma confirmação.

A visão inesperada foi a de Taichi e Sora beijando-se, encostados a uma das paredes do corredor.

A confirmação foi sobre o que Pyomon havia lhe dito antes que as luzes se apagassem e que ele saísse do camarote. A Escolhida do Amor, ao que parecia, pois correspondia ao beijo puxando Taichi para si, amava o parceiro de Agumon.

Gomamon ficou estupefato, e alguns segundos após sua chegada, os amantes separaram-se, um em cada parede, mas pareciam não ter notado a presença do digimon, até que este emitiu um suspiro que não conteve.

Ambos os humanos viraram sua cabeça rapidamente para o digimon. Gomamon percebeu que Taichi chorava, e este não esboçou reação exagerada, ao contrário de Sora, que parecia ter visto um demônio, pois recuara dois passos e tinha expressão surpresa.

Confiança.

A Escolhida do Amor iria dizer algo,mas Gomamon, prevendo o que ela diria, foi mais rápido.

– Pode deixar, não vou contar. – Sora sorriu e Taichi desviou seu olhar para a japonesa. O digimon passou por eles, apressado.

Então Pyomon tinha razão e Sora ainda o ama. Ponderou enquanto alcançava a porta de acesso ao camarote. Não contarei isto nem para Pyomon. Se ela não queria que ninguém soubesse que ela ainda amava Taichi, não iria querer alguém soubesse que eles andam se beijando por ai.

Quando o digimon saiu, Sora mirou Taichi. Seu olhar era soturno, e ele continuava em silêncio, inescrutável.

Sora precisava ter certeza sobre os sentimentos de Taichi, mas as palavras não saíam-lhe à boca, presas na cela de sua mágoa. Não era uma mágoa profunda, e talvez desilusão fosse uma palavra melhor, mas não fazia diferença.

Ela olhou-o de novo, e tomando fôlego, disse tudo de uma vez, como se aquilo fosse amenizar o sentido e equiparar a pergunta a qualquer outro diálogo corriqueiro.

– Por que não me ama mais? Eu vi você me olhando enquanto víamos o desfile. – falou, tentando reter as lágrimas em seus olhos, e a resposta demorou.

E muito. Sora quase sentiu aflição pela inatividade de seu amado, mas por fim ele respondeu com uma frase curta.

– Realmente te olhei, e também conversei com Agumon sobre meus sentimentos por
você.


Esperando que Taichi fosse continuar, Sora esperou, mas logo, percebendo que aquilo era tudo que ele tinha dizer, perguntou.

– Você não me disse por que não me ama mais... – A retórica demorou um tempo, para Sora, infindável. Os segundos pareciam terem se tornado horas e o ciclo de suas respirações parecia levar toda uma década para completar-se, mas após algum tempo refletindo sobre o que diria, Taichi, respondeu, ainda numa frase curta.

– Eu amo, Sora, mas não posso te ter. – Tai virou seu rosto de volta para a parede de modo que a Escolhida do Amor não visse sua face.

– Pode, claro que pode! – disse com entrega na voz – Esse beijo que acabo de te dar não é uma prova disso? Não deixa claro que eu também te quero?

– O problema não é esse Sora. Se fosse, eu te teria em meus braços neste instante.

– Qual o problema, então? Você arranjou uma namorada?

– Não, não estou comprometido.

– Então o que é? Conte-me.
– mas o Escolhido permaneceu em silêncio por algum tempo, que mais uma vez parecia a Sora toda uma época. – Por favor, Tai...

Amizade.

O Escolhido da Coragem tomou fôlego e, ainda sem se virar, começou:

– Há pessoas que eu desejo nunca magoar, pois as amo. Minha irmãzinha, meus pais... – e a cada nome pausava para pensar – Agumon, é claro... Você, pois a amo... – Sora ficou feliz com aquilo, mas não se permitiu sorrir. – Koushiro, pois é um grande amigo meu... E Yamato, pois ele é, apesar de nossos freqüentes desentendimentos, meu melhor amigo.

– Então a questão é Yamato? – Taichi assentiu, ainda sem se virar. – Se você quiser, eu posso terminar com ele hoje mesmo e...

– Não, não faça isso!
– e virou-se para encarar seu grande amor – Ele a ama, assim como eu amo. Isso o deixaria imensamente magoado, e apesar de que ele já deva ter percebido que você o usa para me esquecer, é melhor que permaneça feliz enquanto for possível. Não o magoe dessa forma.

Sora resignou-se e não retrucou. Perguntou após alguns segundos se aquele era o único motivo.

– Não, há mais um. – Taichi respondeu, aparentemente pouco disposto a contar tal motivo.

– Vai me contar qual é? – inquiriu, esperançosa.

– Não, não vou.

– Diga qual é o motivo, Tai.
– e fez um floreio com a mão – Talvez seja algo que nós podemos mudar.

Amor.


– Não, Sora. Não é algo que possa ser mudado.
– explicou – E sei disso pelos quatro namoros que tivemos. – Sora nada disse, e Taichi continuou – Devemos ser predestinados a ficar separados, e a separação é sempre muito dolorosa para você.

“Não quero te ver triste nunca mais, pelo menos não sabendo que a tristeza foi culpa minha.”

– Mas podemos fazer dar certo desta vez e não haverá separação!
– e segurou as mãos de seu amado – Se revermos nossos erros, podemos fazer dar certo!

– Não, Sora, não podemos. Você sabe tão bem quanto eu que nosso amor está fadado a florescer e não vicejar, e isso não é algo que possamos mudar.
– disse aquilo com imenso pesar.

Lágrimas começaram a descer lentamente pela face da Escolhida do Amor. Taichi nada fez, pois sabia que se a consolasse, não se controlaria e no fim estariam juntos novamente. Em vez disse regrou suas emoções e permitiu que apenas a indiferença o guiasse.

Com um último olhar, deixou o maior amor de sua vida e seguiu pelo corredor.

Oh, por que nosso amor está destinado a dar errado?Gostaria tanto se desse certo ao menos uma vez... Custa-me deixar Sora magoada desse jeito, mas não é de longe pior do que ela se sentiria quando nos separássemos.

E atravessou a porta com os olhares de todos em si, mas não disse nada, e voltou a sua posição, sem esboçar e forçando-se para não sentir emoção.

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A ave rosada conversava com Tailmon e Patamon. Gomamon comentava descontraidamente para Jou como havia sido difícil molhar sua pele.

O barulho da porta atraiu a atenção de Pyomon, que como todos virou-se para ver quem adentrava. Era Taichi quem transpunha o umbral e sua expressão era por demais indiferente.

O Escolhido da Coragem encostou-se na janela e ficou sozinho lá, com sinistra atenção ao desfile e ao carro alegórico que levava a ave dourada. A alegoria já havia passado o camarote, mas estava bem próximo, proporcionando a Taichi um bom vislumbre de todos que lá dançavam.

Pyomon desviou a atenção dos dois digimons com quem dialogava e mirou o irmão de Hikari.

Ele está triste... Pensou o óbvio. A alegria é um sentimento que sempre transparece, por menor que seja, mas não vejo nenhum traço disso em Taichi, que estaria radiante se houvesse reatado com Sora.

– Não concorda, Pyomon? – interrogou Patamon em sua vozinha infante.

– Me desculpe, – disse um pouco envergonhada – mas não ouvi o que vocês diziam.

– Patamon diz que Pegasmon é mais rápido do que Unimon. – esclareceu Tailmon, atenciosa – O que você acha, Pyomon?

A digimon ave achou aquela uma pergunta meio boba, mas respondeu.

– Eu não sei bem, só vi Unimon brevemente. – disse e apontou para Jou e Gomamon que conversavam algo com Yamato e assistiam ao desfile. – Deviam perguntar para eles, pois eles enfrentaram Unimon na Montanha Mugen, sabem melhor que eu. – o digimon laranja e a digimon gata assentiram quase ao mesmo tempo, e antes que eles fossem a Jou e Gomamon, acrescentou – [/b]

– Claro, quando você voltar nós continuaremos nossa conversa. – falou Tailmon enquanto movia lentamente sua longa cauda com o Anel Sagrado.

Pyomon assentiu e caminhou rapidamente até a porta. Abriu-a e saiu.

Quando a porta se fechou com um leve baque voou pelo corredor, preocupada, e em poucos segundos encontrou sua parceira.

Deprimente. Quebrada. Desiludida.

Esses adjetivos seriam os melhores para caracterizar Sora em sua situação. Estava sentada no chão. Seus pés tocavam uma parede e suas costas, agora curvadas, outra. Sua cabeça estava coberta por suas mãos e repousava sobre os joelhos da japonesa ruiva.

Seu choro era um lamento baixinho, comovente, mas, acima de tudo, lúgubre como o sussurro dos espíritos.

Pyomon sentiu como se seu coração estivesse sendo perpassado por agulhas, acometido pela dor intangível da compaixão e do amor fraternal. A ave pousou bem ao lado da Escolhida do Amor e a humana percebeu sua presença, mas ignorou-a e continuou chorando.

– Pobre criança... – lamentou Pyomon transmitindo despropositalmente uma impressão de longevidade falsa. Não haviam se passado dez anos desde que saíra do Digitama, mas tudo que vivera lhe conferia grande, mas ainda não extraordinária sabedoria.

Sora tirou suas mãos do rosto e a digimon viu que elas estavam sujas de negro. Depois virou seu rosto para a digimon, e Pyomon teve um sobressalto e observou perplexa, enquanto Sora revelava seu rosto agora negro.

Devido às lágrimas incontáveis que escorreram daqueles olhos, lágrimas negras de maquiagem estampavam seu rosto. Uma visão arrepiante. Sora falou, e sua voz não passava de um sussurro rouco, as palavras entremeadas por soluços.

– Ele me recusou, Pyomon... Ele me recusou...
– Um soluço gutural subiu de sua garganta.

– O que você fez, Sora? O que aconteceu?

A pergunta fez Sora relembrar o recém-ocorrido e uma crise de choro a assaltou, e foi no meio dela, que respondeu à sua digimon.

– Eu... Eu o beijei, Pyomon. – a digimon aproximou-se mais e colocou uma de suas asas no ombro de Sora – Mas ele se afastou e eu perguntei se ele me amava...

Ele respondeu que não? Cogitou, mas Sora continuou seu curto relato.

– Ele me disse que sim. – e um sorriso surgiu naquele rosto arruinado, mas foi logo soterrado pelos tristes soluços – Mas disse também que não poderia ter nada comigo. Disse que não queria trair Yamato, e disse que não queria me magoar. – e três longos soluços ocorreram antes que ela continuasse, aos prantos. – Ele não me quer. Ele não me quer!

Pyomon abraçou Sora sabendo que suas penas rosadas ficariam sujas com a maquiagem que escorria, mas isso era um dano reversível, e o que importava naquele instante era consolar sua parceira.

Agora ela não percebe, é claro, mas será que seria melhor que ela se magoasse depois? Como eu disse a Gomamon, aprovava a auto-preservação de Sora, mas ela acaba de seguir seus instintos ao invés de sua razão, e isso a deixa mal.

Abraçou Sora mais intensamente, como se quisesse a trazer para dentro de si e fazê-la esquecer-se de sua mágoa.

Luz.

– Vamos ao banheiro para que você se lave, minha amada, vamos...

– De que adianta que eu esteja bela?
– e sacudiu sua cabeça devagar – Ele não me quer... Ele não me quer...

Pyomon percebeu que aquela fala era familiar, pois ouvira ela por dias há três meses, e achou um absurdo, como sempre achava.

– E por isso você vai se esquecer de você? – perguntou, um tanto irônica – Não, eu não vou deixar. Vamos, levante-se. – e Sora o fez, bem devagar – Depois de um terremoto, a cidade precisa se reconstruir, e com você não vai ser diferente. Vamos! Deve manter a cabeça erguida, porque você vai conseguir superar isso da melhor maneira possível.

Pyomon segurou Sora pela mão e passou a sua frente para puxar-lhe devagar até o banheiro. Sora não protestou e tentou se recompor aos poucos.

Espero que minhas palavras estejam certas e que ela consiga superar a mágoa também desta vez.
Pensou Pyomon, e lhe ocorreu que desempenhava o papel que atribuíra à
Hikari o Brasão da Luz.

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A Escolhida da Luz respondeu a uma pergunta de Takeru e beijou-lhe rapidamente os lábios, mas logo sua atenção voltou-se para seu irmão.

Sempre fora mais sensível que a maioria, especialmente no que se tratava de sentimentos, e podia enxergar claramente, diante do manto confuso no qual Taichi escondera suas emoções, a tristeza profundamente incrustada em seu coração.

– Fale com ele. – disse Takeru bem baixinho, e Hikari o mirou com expressão confusa – Fale com seu irmão, já que acha que ele está mal. – a Escolhida da Luz assentiu e roçou seus lábios nos de seu namorado, levantando-se em seguida.

Ele me compreende tão bem...


Hikari aproximou-se e acocorou-se na borda da janela, bem ao lado de Taichi, que nada disse, e continuou na mesma posição. Mais de perto a parceira de Tailmon percebeu ainda mais claramente a tristeza em que seu irmão estava mergulhado, e foi incisiva.

– É por causa da Sora que está assim? – disse, e a exemplo de seu irmão ficou mirando o desfile.

– Como sabe?

– Não sei... Intuição?
– e riu-se – O que aconteceu?

Taichi narrou brevemente o ocorrido no corredor, sem usar adjetivos e sem dizer nada mais do que as ações, escondendo o que sentiu na hora. Se outra pessoa o tivesse perguntado sobre aquilo de certo ele iria se esquivar, mas aquela era sua irmã, e desabafar com ela era revigorante.

– E agora vou desistir dela de vez, pois como eu disse para ela, nosso amor é algo que nunca irá vingar.

– Como pode ter tanta certeza disso?
– Taichi resmungou algo sobre as outras vezes, mas Hikari o interrompeu – Só por que não deu certo das outras vezes? Que ridículo!

Taichi a fitou, silencioso.

Esperança.

– Diz-se que os brasileiros nunca desistem, e que se precisam, morrem tentando algo. – Hikari sorriu seu sorriso jovial, e virou-se para seu irmão – Devia seguir o exemplo desse povo maravilhoso e não se abater só “porque não deu certo”. – a Escolhida da Luz fez uma longa pausa, enquanto planejava o que diria a seguir – Sabe, talvez o Destino já esteja escrito, e ele é o melhor roteirista para nossa vida, pois sempre escolhe para cada personagem deste espetáculo o melhor fim, ainda que seja necessária a caminhada por um longo e tortuoso caminho.

Taichi olhou para sua irmã com esperança renovada e sorriu, o que pensou que não faria por muito tempo. Hikari beijou-lhe a face, o abraçou e foi juntar-se novamente a seu amante.

O Escolhido da Coragem sorriu de novo.

Espero que ela esteja certa, e que para mim, o Destino tenha reservado Sora...
Pensou, enquanto o carro alegórico dourado saía de seu campo de visão.

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Nota:
Então... Quando eu fui ler o texto antes de postar, sei lá, não me pareceu tão bom quanto a três meses, e há expressões que eu não entendo porque usei. Algumas eu substituiria, outras nem apareceriam, mas como eu não iria reescrever a One-Shot...

PS.: Há algumas coisas incoerentes que eu achei hj enquanto relia, mas não modifiquei nada, apenas erros ortográficos e afins.
Ele não pode tocar gaita de novo mas eu posso ouvir os seus sons - Gabumon

[Image: buioli98.jpg]

Digimon Ancient Power
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